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Breve História de Quase Tudo – Bill Bryson

29/07/2011

breveComo fazer com que a complicada linguagem científica se torne acessível? Como fazer com que alguém que seja totalmente (ou parcialmente) leigo compreenda de forma clara um assunto que tem sido conhecido como algo difícil?

A ciência se destaca por ser hermética. Um conhecimento que só pode ser alcançado por poucos. Contudo, com a popularização da informação (de todo tipo de informação), o conhecimento científico tem se tornado mais popular. Mais pessoas entram em contato com o que antes era privilégio dos iniciados. Essa popularização ocorreu devido ao esforço de algumas simpáticas pessoas de conhecimento robusto que conseguiam com desenvoltura “transformar” o extremamente complicado em algo simples. Nesse quesito existem grandes destaques, tais quais: Richard Feynman com seu Six Easy Pieces (que no Brasil foi publicado como Física Em Seis Lições, pela Ediouro), tem Penny Le Couteur e Jay Burreson com Napoleon’s Buttons (Os Botões de Napoleão), Carl Sagan com inúmeros livros de divulgação científica que são fascinantes, dos quais cito Bilhões e Bilhões, Cosmos, Pálido Ponto Azul e O Mundo Assombrado Pelos Dêmonios, Edward O. Wilson com seu Diversidade da Vida, e (para finalizar) Simom Singh com os seus livros O Livro dos Códigos e O Último Teorema de Fermat.

Citei uns poucos que conseguiram deixar gostosa a complexa língua dos cientistas. No entanto, eles são exceções. Muitos dos pretensos divulgadores ao grande público da ciência, são no mínimo patéticos. Não conseguem fazer com que a inteligência e perspicácia da área científica que está sendo tratada se mostre em seus livros. Escrevem obras pífias que empobrecem, que diluem em demasia o conhecimento científico. Na tentativa (algumas vezes desesperada) de transmitir em linguagem simples, eles acabam deixando não simples mas ignorante a ciência (mesmo que seja só aparentemente).

Indo contra essa onda de “enburrecimento” (para vender mais convenhamos) dos livros de divulgação ou da história das ciências, um autor se destacou com uma obra de fôlego. O livro Uma Breve História de Quase Tudodo big bang ao Homo Sapiens, do estadunidense Bill Bryson, é uma proeza.

As maiores descobertas dos maiores homens com os maiores intelectos que a humanidade já viu contada numa linguagem que lembra uma conversa de amigos numa mesa de bar. Bill Bryson escreve como quem fala, mas sem os vícios de linguagem. Uma leitura saborosa a cada página. Detalhes das descobertas, as falcatruas dos cientistas, suas esquisitices, suas obsessões. Bryson coloca tudo escancarado.

Com três anos de pesquisas viajando o mundo com um bloco de notas na mão, Bryson coleta dados curiosos, fascinantes, que não estão na maioria dos livros que contam a história da ciência. Um grande mérito do livro é não perder o fio da meada. O autor escreve de forma compreensível, contudo sem perder a profundidade dos temas abordados em cada capítulo. Você entenderá muito bem como a ciência explica determinados fenômenos que nos ocorrem como um terremoto, ou como se sabe a idade da terra com tanta precisão. Bryson também não deixa de mostrar o quanto a ciência ainda não sabe (e ela é muito ignorante de muitas coisas por enquanto), e de como ela é humilde em admitir sua ignorância.

Com sua “malemolência” linguística, Bryson nos faz percorrer as mais de 500 páginas de seu livro como se lêssemos um romance eletrizante, que não queremos parar de ler. Isso ele faz com um livro que trata de coisas como: o meteorologia, astronomia, astrofísica,  física atômica, química nuclear, geologia, paleontologia, e outros ramos pouco atraentes da ciência.

O livro de Bryson serve para qualquer tipo de leitor: aqueles que são mais esclarecidos e querem um leitura inteligente e sagaz, também para aqueles que só querem um livro para se divertir, matar algumas curiosidades, passar o tempo, ou para aqueles que querem ter curiosas informações para se exibir numa conversa. Não importa que tipo de leitor você seja, Breve História de Quase Tudo é perfeito para você.

(resenha publicada originalmente no blog Retalhos de Existência)

One Comment leave one →
  1. Pedro permalink
    24/09/2012 12:58

    Faltou citar Stephen Hawking e seu best seller “Uma Breve História do Tempo” do qual provavelmente veio a inspiração para o nome do livro de Bill Bryson. Hawking é um gênio que também consegue passar de uma forma muito fácil e acessível o complicado mundo da Física Teórica para leitores leigos. Recomendo o livro “O Universo numa casca de Noz”, vale a pena conferir!

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