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Eu, Christiane F., 13 anos, Drogada, Prostituída – Kai Hermann e Horst Rieck

13/02/2012

No início do ano de 1978, os jornalistas Kai Hermann e Horst Rieck estavam fazendo uma grande matéria sobre a juventude alemã para a revista “Stern”, e foi quando então encontraram com Christiane Vera Felscherinow, mundialmente conhecida por Christiane F., já com 15 anos, dando seu depoimento para o tribunal de Berlim. Pediram-lhe uma entrevista, para ajudar nas pesquisas que estavam fazendo a matéria, e a entrevista que deveria durar apenas duas horas, durou dois meses. Dois meses nos quais Christiane narrou sua vida e sua relação com as drogas, e como tornou-se uma viciada. Desse depoimento surgiu o livro “Wir Kinder vom Bahnhof Zoo”, que logo tornou-se um best-sellers na Alemanha, e  que recebeu no Brasil o incompleto título de “Eu, Christiane F., 13 anos, Drogada, Prostituída”.

 Ao contrário do que possa parecer, o livro não conta somente a história da vida de Christiane F., e sim a história de três adolescentes que se prostituíam para conseguir comprar heroína. Além de Christiane, seu namorado Detlef R, e Chatherine Sch., conhecida como Stella, também protagonizam o livro.

 Corre-se o risco de parecer-se moralista, assim como Horst-Eberhard Richter no prefácio, ao falar da história desses três jovens; mesmo porque suas trajetórias servem como lição para os jovens de hoje, que entram em contato muito facilmente com as drogas.

 O livro se inicia com a transcrição do resumo da peça de acusação do procurador no Tribunal de Grande Instância de Berlim. De resto, o livro é quase que completamente todo narrado por Christiane F, com pequenas inserções de depoimentos da mãe, assim como também os de outras pessoas que entraram em contato com Christiane, tais como o Jürgen Quandt, pastor responsável pelo centro sociocultural “Centro de Jovens” ou Renate Schipke, investigadora do Departamento de Tóxicos, e de quem Christiane tinha especial ódio, entre outros depoimentos que aparecem no decorrer da história, sempre mostrando uma visão externas dos acontecimentos. Visão que muitas vezes estava longe de abarcar a realidade das ruas.

 Christiane vivia no conjunto habitacional Gropius, onde a circulação de drogas leves era constante entre os adolescentes “descolados”, que logo ganhariam a inveja da menina, que não demorou muito para matar aulas e começar a usar as drogas suaves, como haxixe e maconha, para desanuviar dos problemas de sua casa. No entanto isso não foi suficiente, pois os problemas em casa aumentavam e o efeito das drogas já não era mais o mesmo. É quando então Christiane vê um anúncio da boate Sound, “a mais moderna discoteca da Europa”, e passa a frequentá-la e perceber que as pessoas que iam para lá eram totalmente distintas de seus infantis amigos escolares. Ela se encanta com o jeito dos “junkies”, jovens drogados de aspecto largado, e deseja torna-se um desses. Se apaixona por um dos junkies, e tem um pequeno affair, que logo termina. Porém não demora a começar um namoro com Detlef R., um dos frequentadores do Sound.  Enquanto isso, se afunda em drogas mais pesadas como a heroína, que logo torna-se sua droga preferencial. O vício chega e o dinheiro torna-se escasso. Conseguia-o através de uma espécie de mendicância disfarçada, pois pedia para os transeuntes que sensibilizados com sua frágil e bela aparência lhe davam pequenas quantias. Mas também não demora pra que esse método de arrecadação se mostre improfícuo. Fica sabendo de meninas que se prostituíam em busca de dinheiro para consumir heroína e, na ausência de outro meio, começa também a prostituir-se. E assim começa uma das mais famosas histórias de prostituição e vício entre jovens. Assim nasce Christiane F.

 Não espere de mim toda a história da jovem berlinense, pois não a darei. O livro merece uma leitura muito atenta, pois é possível ver a transformação da voz de Christiane no decorrer de seu depoimento, em como de menina esperta e linda, se transforma numa mulher drogada de grande experiência sexual, que vai perdendo todas as esperanças de livrar-se, depois de tantas recaídas, do vício, que perde amigos, sejam para a polícia ou para a morte, e que se encontra num beco sem saída. O relato tem momentos comoventes, de profundamente sentimentais, e trechos curiosos e engraçados sobre sua vida cotidiana, fora do universo das drogas, com cenas familiares e pitorescas.

 O livro serve muito bem como espelho da juventude moderna que busca, nos mais diversos caminhos, livrar-se de seus problemas e tédios. A vida de Christiane F. não é a primeira e nem será a última história de um jovem que se destrói com o consumo visceral de todos os tipos de drogas. Mas talvez sirva muito bem como um exemplo de como não agir, de como não ceder, de ver que esse caminho não é uma saída, mas a entrada para um novo problema.

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