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A Juba do Leão – Arthur Conan Doyle

24/02/2012

Arthur Conan Doyle criou Sherlock Holmes, um dos mais famosos personagens da literatura inglesa, ao lado de Hamlet e Robinson Crusoé, que em mais de cem anos de existência tem fascinado uma legião de leitores ao redor do mundo e formou a imagem que se tem de sagacidade e inteligência num detetive. O nome do personagem tornou-se adjetivo para designar alguém que possui grande capacidade de investigação e para desvendar enigmas. Doyle escrevia para jornais e periódicos onde publicavam os contos, quase todos narrados pelo o indefectível assistente de Holmes, Dr. Watson, e essas história fizeram expressivo sucesso, como acentua o crítico de literatura Álvaro Lins: “Nenhum personagem passou da ficção para a realidade de modo mais completo do que Sherlock Holmes; nenhum personagem de Balzac ou de Dickens adquiriu maior popularidade e maior verossimilhança. De todos os seres criados pela imaginação foi Sherlock Holmes o que obteve mais vida autônoma, mais independência como criatura e mais ampla projeção universal. Neste sentido ele cresceu mais do que D. Quixote, Hamlet ou Grandet, embora, está claro, não participe, nem de leve, dessa mesma grandeza da criação na ordem literária ou estética. E isto vem destruir um dos argumentos mais correntes contra o romance policial: o de que ele é absurdamente fantasista e inverossímil. Algumas das criações, ao contrário, são tão verossímeis que inúmeras cartas chegavam ao 221B Baker Street, endereçadas a ‘Sherlock Holmes Esq.’, e visitantes procuravam o personagem de Conan Doyle, acreditando na sua existência.”

“A Juba do Leão” (L&PM Pocket, tradução de Angenor Soares Moura) é um conjunto de seis contos que retratam a era vitoriana com um ar lúgubre de ações que ocorrem quase sempre em ambientes escuros ou à noite. Os casos carregam certa carga noir, de tramas obscuras. As histórias das aventuras de Holmes e Watson são, na sua maioria, repletas de reviravoltas plausíveis, narradas com precisão, sempre desvelando enredos engenhosos, que revelam uma prolífica imaginação, cheia de lógica, e admirável suspense. Talvez a história mais fraca das seis, seja a que dá nome ao livro, narrada pelo próprio Holmes. No entanto, as outras, sempre contadas por Watson não permitem ao leitor parar de depois de começada a leitura.

A força de boa parte das histórias escritas por Conan Doyle perdeu-se devido à sofisticação de alguns personagens criados posteriormente, ainda que sob sua inspiração, tais quais Hercule Poirot de Agatha Christie, James Bond de Ian Flemmig ou os espiões de John Le Carré ou o thriller jurídico criado do Scott Turow. Os ambientes contemporâneos de atuação dos personagens do romance policial são outros: exige-se mais velocidade, mais mortos (em alguns casos), e tramas muito mais completas. Mas o que todos devem à Conan Doyle e seu Holmes é o charme da inteligência (mesmo que Le Carré apresente o lado menos glamoroso da espionagem), a elegância nos desvendar os casos, a imprevisibilidade (que foi criada por Poe como elemento da literatura policial, da qual foi o pai, mas que foi habilmente desenvolvida e popularizada por Doyle) no desfecho das histórias. Ainda que não tão fortes quanto antes, Sherlock Holmes e Watson, personagem canônicos, continuam a encantar com suas caracterizações fantásticas; ainda despertam o interesse de jovens ávidos por aventuras de alto nível. Ainda são leituras elementares, caros leitores.

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