Skip to content

Antologia SadoMasoquista da Literatura Brasileira – Vicente Seraphim Pietroforte e Glauco Mattoso

05/03/2012

A literatura erótica brasileira carece de bons representantes. No geral eles se limitam a produzir textos desengonçados que beiram a vulgaridade pueril sem criatividade, com temas costumeiros, empobrecidos, e tão repetidos que não despertam muito o interesse, seja pela pobreza, seja pela sua sujeira literária, com  textos cheio de gorduras, excessos, o que costuma mostrar a falta de fôlego na escrita.  Alguns autores se destacaram pela sua produção marcada pelo erotismo, como Charles Bukowski (“Misto Quente”, “Mulheres”, e tantos outros) William Burroughs (que tem as mais viscerais linhas feitas em toda a literatura; livros: “Almoço Nu”, “Junky”), Henry Miller (“Trópico de Câncer”), que é, aliás, um dos pais literários de Bukowski pra que você tenha noção do que estou falando; tem também John Cleland (“Fanny Hill”, um livro pra quem tem paciência) e o incrível Vladimir Nabokov, com “Lolita”. Em nível macro, a literatura erótica tem grandes e bons representantes, mas que ainda assim são poucos se comparados com as outros estilos literários, entretanto no Brasil a produção é canhestra e muito falha, apesar do livro “A casa dos budas ditosos” de João Ubaldo Ribeiro. Dentro do universo erótico existe outro sub-universo, que é o da literatura sadomasoquista, sub-gênero que explora o sexo e o erotismo que tem como uma das prioridades a violência. Contudo, o Brasil ainda não tem destaque nesse estilo literário. Se perde com muita facilidade na profusão de escritores ruins que saem todos os dias no nosso mercado. Na tentativa de fazer o mapeamento e mostrar ao público autores que se destacaram na literatura de cunho sadomasoquista, Antonio Vicente Seraphim Pietroforte e Glauco Mattoso, cego, homossexual e um dos maiores nomes da literatura erótica contemporânea, organizaram a “Antologia SadoMasoquista da Literatura Brasileira”.

 O título é de uma pretensão que o livro não dá conta, e resvala também, no que ficou meio óbvio na escolha de alguns poemas e contos, naquela seleção amiga, que consiste em escolher o autor muito mais pela amizade do que pela sua qualidade literária. Isso prejudicou a totalidade da antologia. O livro inicia com um esclarecedor prefácio assinado por Antonio Vicente Seraphim Pietroforte a respeito do discurso sadomasoquista, o que explica em muitos aspectos o que é o sadomasoquismo e sua aparição dentro da literatura, e como definir o que ele é, e quando se distingue do sadismo e do masoquismo. Além desses aspectos, trabalha também com a desmistificação do conceito do sadomasquismo como distúrbio ou perversão sexual. O prefácio tangencia por diversas referências literárias do universo erótico, desde Marquês de Sade, Leopold Von Sacher-Masoch até Pauline Réage. O livro já vale pelo prefácio.

A antologia tem como foco problematizar a temática do sadomasoquismo dentro da literatura brasileira, e apresentar apenas alguns autores, o que é conseguido, pois a seleção ficou presa num número diminuto de autores. Como já foi frisado, a escolha teve grosseiras falhas. Muitos dos autores possuem textos superficiais e com uma visão estereotipada do sexo e da violência. Muitos dos poemas escolhidos assemelham-se com os textos adolescentes falando de sexo de uma forma estúpida e boba. Mas dentro da seleção existem autores que têm o destaque natural, como o próprio organizador Glauco Mattoso com seu conto “História Oral”, de forte cunho autobiográfico, Wilma Azevedo, com “À força bruta”, “New York City Girl” de Delmo Montenegro, Marcelo Tápia com o poema “Lágrima Profunda”, que é muito bom, Pedro Tostes com “Fist Fukcing” e alguns outros que levam a temática da antologia ao extremo como o João Silvério Trevisan com seu louco “Latin Lovers”. A seleção força a interpretação, em algumas escolhas, do que seja sadomasoquista, como na escolha de um trecho de “Diva”de José de Alencar (grande chato da nossa literatura) ou no poemas doe Cruz e Souza, “Escravocratas”, mas acertam na mosca na inserção de “A Causa Secreta” de Machado de Assis.

Livro oscila bastante na sua proposta, no entanto é uma leitura muito válida para começo (mas se tem que atentar a alguns detalhes). Pra quem gosta de extrema violência e sexo, esse livro não é uma pedida. Entretanto, pra quem aprecia algo suave, é uma leitura bem gostosa. Pra começo de conversa, é um livro que vale. Mas apenas para isso: um começo.

One Comment leave one →
  1. 09/01/2015 10:25

    Eu sou tão apaixonada com esse tipo de literatura, que li a sua publicação com um caderninho do lado, anotando os autores que não conheço e os livros que ainda não li para procurá-los!!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: