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Movimentos Populares da Idade Média – José Rivair Macedo

24/07/2012

A Idade Média foi estigmatizada como a Idade das Trevas, um período de obscuridade e ignorância vinda, em grande partem, da religião, onde todos estavam subjulgados e deviam renegar-se a posiçãpo de submissos. Em parte verdadeira, essa perspectiva sobre esse período histórico foi construída pelo Iluminismo, que conseguiu fazer esse reposicionamento simbólico com sucesso. Não se nega a existência de fatos históricos, indiscutíveis e amplamente comprovados, que fazem-nos concordar com a perspectiva iluminista. Entretanto, a Idade Média foi um período de prolífica produção artístico-intelectual de grande expressão. Foi na Idade Média que a produção nas artes foi de grande relevância e influência para o que se vê na arte contemporânea. Foi do medievo que brotaram os grandes romances que nortearam o fazer literário de gerações. Foi um período, ainda que bastante contestado e reprimido, da pesquisa científica, mesmo que isso tenha custado algumas cabeças e alguns corpos tenham sido queimados. Claro já deve estar que a Idade Média foi uma época produtiva. Além de intelectualmente prolífica, o medievo foi combativo. Várias rebeliões pipocaram sugiram e muitas delas protagonizadas pela base da pirâmide social: a plebe, o populacho. E são esses movimentos de rebelião o tema do livro “Movimentos Populares da Idade Média” do historiador, que leciona História Medieval e História da Cultura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, José Rivair Macedo.

O livro de Rivair não é uma pesquisa profunda sobre os movimentos populares do medievo. É um livro cujo foco é são estudantes do ensino médio. Logo, superficial e rápido. Não se pode lê-lo achando que vai-se obter o mesmo nível de detalhamento de um livro de Jean-Jacques Le Goff. São universos diferentes. Mesmo com essa ressalva, o livro de Rivair não é estimulante (o que se configura em um grande problema para um autor que está escrevendo para um público já desestimulado, que é o alunado brasileiro).

Rivair faz um pequeno apanhado da situação sociopolítica do medievo e fala, de forma vaga e difusa, sobre o feudalismo, e vai seguindo de forma pouco apaixonante, mostrando o panorama do que era fazer parte do campesinato na Europa feudal e os abusos pelas quais os camponeses passavam e como isso desencadeou uma série de revoltas. Logo após expõe o peso dos impostos e as rebeliões contra o fisco. Rivair também trata dos movimentos urbanos, como os artesões de Flanders, dos operários italianos. O autor vai enveredando até contextualizar os movimentos sociais medievais com as manifestações rebeldes atuais (tão direcionadas e manipuladas quanto os de outrora).

Como já foi frisado, a linguagem que Rivair dá a seu livro é do enfado (não de todo chato, mas em nenhum momento prende até o mais interessado leitor). Mas não se pode ser tão duro com um livro tão pobre.

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