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Ela e Outras Mulheres – Rubem Fonseca

30/07/2014

elaUm dos nossos maiores contistas, e considerado pela crítica – essa confusa horda que resvala, com irritante constância, na injustiça e relegam obras de primeiro escalão ao ostracismo e outras, de qualidade pífia, ao topo dos mais vendidos – um dos competentes trabalhadores da escrita na nossa língua, Rubem Braga talvez seja o contista brasileiro contemporâneo mais primoroso.

Me perco sempre nesses superlativos, mas quando são à Rubem eles nunca costumam ser injustos. Nesse seu “Elas e outras mulheres” (Companhia das Letras), ele deslinda todos os drama do(s) universo(s) femininos(s) nas suas personagens vivenciando diversas situações. Rubem Braga faz um escrutínio da alma feminina.

As mulheres, os seres mais indecifráveis que o mundo poderia conceber. Tão simples e tão complexas; tão diretas ou subliminares. É sobre elas que Freud se viu num dilema: afinal, o que elas querem? Rubem Braga, na agudeza da sua literatura, descobriu que o que está errado mesmo não é o fato de não termos resposta para a questão freudiana, mas sim sua pergunta. Não precisamos saber o que elas querem, precisamos fazer o que elas mandam.

O livro de Rubem deslinda todos os tipos de mulheres. E o melhor: sem precisar usar recursos complexos pra isso. Suas pequenas narrativas trazem personagens que carregam em si diversas possibilidades interpretativas, com os seus problemas, com as suas inusitadas formas de resolvê-los e de como elas lidam com o sexo mais problemático de todos: o masculino. Tudo isso em curtas narrativas, em contos de uma página, de ritmo acelerado e preciso.

O universo masculino, como se é de esperar, na obra adota um papel secundário. Ainda que seja por meio da tentativa (até hoje bem sucedida) de demonstrar superioridade do mundo masculino, que entendemos, sob o olhar de Braga, o universo feminino. As mulheres são reposicionadas para o lugar que lhes é de direito: o principal, de protagonistas. Rubem toma como base a construção patriarcal da figura feminina para desconstruí-la.

Sem ir aos apelos, muitas vezes rasos, para se fazer compreender por quem não compreende, Rubem Braga torna os dilemas e embates femininos límpidos e translúcidos. Uma leitura fluída, que não encontra percalços durante o seu trajeto. Mais do que isso, um fator mais importante do que qualquer outro: é uma leitura fundamental.

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