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A Festa da Insignificância – Milan Kundera

21/01/2015

A Festa da InsignificânciaMilan Kundera, aquele cara que escreveu o livro da vida de muitos. Aquele que teve uma das maiores sacadas literárias das últimas décadas e escreveu o romance que influencia diretamente a visão de mundo de muitas pessoas. Todo leitor que se preze já leu (ou pelo menos conhece de relance a trama) o livro “A Insustentável Leveza do Ser”. Muita gente já chorou, já riu, se identificou, guardou pra si as melhores frases, estimulou os amigos a ler. Esse é o livro de uma geração, que se fortalece nas outras, porque a sua trama é universal, ela nos toca ali, onde achamos que ninguém vai tocar: nos sentimentos escondidos, ocultos. Até hoje, nessa minha vida leitora, ainda não encontrei quem não gostasse. O livro é uma unanimidade.

Essa foi a porta para todas as suas outras obras, as que já circulavam e as que ainda viriam à tona. Ali estava a obra máxima (ainda que haja os cansativos debates do críticos, esse povo mala pra cacete, discutindo se essa é ou não de fato a melhor obra de Kundera) da primeira fase do escritor. Talvez ele ainda não tenha superado esse que é o mais popular dos seus trabalhos. Mas de qualquer forma, depois de 14 anos sem vermos qualquer trabalho literário seu (seu último romance publicado havia sido  A ignorância em 2000), no ano passado ele veio e trouxe o inolvidável “A Festa da Insignificância”.

Romance curto de histórias entrelaçadas, “A Festa da Insignificância” é daquelas narrativas seguras. Kundera faz questão de frisar isso. Já com a experiência de um autor que sabe o que está escrevendo e do impacto de cada frase, o enredo se desenrola em fazendo conexões improváveis: como você ligaria umbigo como forma de sensualidade feminina, Stálin, câncer, uma exposição de Chagall, Paris e União Soviética e transformaria isso numa narrativa coesa, de profunda singeleza e reflexão filosófica? Kundera fez isso num romance que nos põe em cheque. Nós, filhos da pós-modernidade, onde tudo precisa ser rápido, veloz, produtivo e onde a futilidade toma ares de importância nunca antes vistos. A história se divide em cinco amigos franceses que orbitam em torno de uma festa (que não chega a se formar como núcleo central do livro, mas que aproxima os personagens em importantes insigths), que sofrem seus dramas pessoais, como Alain que reflete sobre como o umbigo feminino pode ser hoje uma parte do corpo usada para atração sexual ou ainda Ramon que conclui que “a insignificância é a essência da nossa existência”. Os personagens são o retrato da pós-modernidade, cujo os dilemas mais prioritários são os mais ridículos (enquanto os reais problemas da humanidade, “ficam para depois”).

A fórmula do romance segue o estilo de narrativa já consagrado no “A Insustável Leveza do Ser”: múltiplos personagens, filosofia, ironia, divisão do enredo em sete partes, críticas ao comunismo e um olhar gaiato sobre a realidade. O livro por si só é um atrativo, mesmo para o leitor mais esquivo (ou mesmo aqueles que só leem literatura água com açúcar): capítulos curtos, escrita fluida e raciocínio interligado. Dá para ler em apenas uma lida. Já a reflexão e o impacto sobre o que foi lido, essa, meus amigos, vai ressoar ainda por muito tempo na sua cabeça.

Informações:

  • Autor: Milan Kundera
  • Tradutora: Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca
  • Editora: Companhia das Letras
  • Páginas: 134
  • Ano de Lançamento: 2014
  • Nota: 4/5
2 comentários leave one →
  1. 21/01/2015 19:50

    Errr… então, nunca li A Insustentável Leveza do Ser, mas uma amiga minha, a Bianne, já comentou comigo que comentaram com ela o quanto era bom, mas não levou a sério o comentário dela. Mas depois desse primeiro parágrafo falando como o livro marcou muitos, já coloquei o livro na lista para ler lá no Skoob.

    Sobre A Festa da Insignificância, parece um bom livro com uma história não clichê e ultimamente é tudo o que tenho evitado, clichês. Tem uma hora que a gente lê e vê tanto filme que quando percebe é difícil encontrar histórias que te surpreendem.

    Ótima dica!

    oepitafio.blogspot.com

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