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trecho: Crepúsculo dos Ídolos

23/01/2015

Ninguém é responsável por existir, por ser constituído desta ou daquela forma, por estar nessas circunstâncias, nesse ambiente. A fatalidade de seu ser não pode ser separada da fatalidade de tudo o que foi e será. Ele não é a consequência de uma intenção própria, de uma vontade, de uma finalidade; com ele não é feita a tentativa de alcançar um “ideal de homem” ou “ideal de felicidade” ou um “ideal de moralidade” – é absurdo querer rolar o seu ser na direção de uma finalidade qualquer. Fomos nós que inventamos a noção de “finalidade”: a finalidade está ausente da realidade… Somos necessários, somos um fragmento de destino, pertencemos ao todo, estamos no todo – não há nada que possa julgar, medir comparar e condenar o nosso ser, pois isso significaria julgar, medir, comparar e condenar o todo… Mas não há nada fora do todo! – Que ninguém mais seja responsabilizado, que não seja lícito explicar o tipo de ser mediante uma causa prima, que o mundo não constitui uma unidade nem como sensório nem como “espírito, apenas essa é a grande libertação – apenas assim a inocência do devir é restaurada… O conceito de “Deus” foi até agora a maior objeção à existência… Negamos a Deus, negamos a responsabilidade de Deus: apenas assim libertamos o mundo.

Crepúsculo dos Ídolos – Friedrich Nietzsche (L&PM Pocket, 2011, trad. Renato Zwick)

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