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No mundo dos livros – José Mindlin

21/07/2015

“Num mundo em que o livro deixasse de existir, eu não gostaria de viver”

[Uma vida entre livros: reencontros com o tempo. Prefácio de Antonio Candido. – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 22]

No Mundo dos LivrosA bibliofilia, como toda obsessão, é uma paixão incompreendida. Muito mais ainda por essas nossas plagas, onde ler é hábito de excêntricos. Por aqui, ler, por si só, já é motivo de estranhamento. Imagine ser um leitor ávido, compulsivo, disciplinado, e um acumulador dedicado! Há nisso ainda mais estranheza. Não bastasse ser leitor, inventa-se também ser bibliófilo. Aquele que carrega em si uma missão muito pessoal de amor aos livros, que é tê-los aos montes. Me pego sempre olhando para meus livros e achando que ainda os tenho em pouca quantidade, por mais que as prateleiras lhes faltem e as pilhas de livros não-lidos se multipliquem em velocidade muito maior em relação aos lidos. Por isso me vi sentindo grande felicidade quando me caiu às mãos o livro de José Mindlin, um dos mais ferrenhos e importantes bibliófilos do país.

Nesse seu pequeno livro, o imortal José Mindlin (foi eleito para a cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras em 2006), que começou seu “hobby” aos trezes anos, fala, em linhas gerais sobre a importância de leitura, as obras clássicas que recomenda, tanto de ficção quanto de não-ficção, como iniciou sua imensa biblioteca (das particulares, uma das maiores), como fazia para garimpar as obras raras (que fizeram a fama de seu acervo) e finaliza com leituras variadas, que julga importante indicar.

O livro todo é composto de forma bastante didática, como se um senhor já idoso estivesse conversando com seus netos sobre o mundo dos livros, a sua importância e a sua necessidade – no final das contas, o livro acaba sendo isso mesmo. Não é um importante tratado sobre bibliofilia, não vamos encontrar nessas páginas indicação de obras herméticas, carregadas de complexidade de que muito ouvimos falar e das quais raros leitores conhecemos. A grosso modo, posso dizer que não é um livro bom, bem escrito por assim dizer. Porém, é um livro bonito. Bonito porque nele há um identificação forte e afetiva para nós leitores. José Mindlin é um leitor como a gente. Tem seus gostos e desgostos, o mesmo senso de importância e, agora digo por mim, aquela sensação de que os livros são pessoas, filhos que precisam de atenção, de visitas frequentes, de afetividade. Além do mais, é um livro de leitura rápida. Poucas páginas e escrita leve. E, vai por mim, você pode sair perdendo se não lê-lo.

José Mindlin é um exemplo de entusiasta da leitura. Ele fica para nós, que estamos aqui constantemente nos dedicando nessa tarefa não-remunerada, cansativa porém prazerosa, de compartilhamento de impressões a respeito de nossas leituras, ele fica como um bom estímulo. Porque, a bem da verdade, cá estamos nós também plantando nossa pequena semente em leitores (no meu caso, apenas os três habituais que frequentam esse pequeno endereço aqui) que atingimos sem saber. Mindlin é esse exemplo de que não podemos abrir mão de estar constantemente estimulando outros a virem para o lado folhoso da força.

ROEDORmindlix

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