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Léxico – Max Barry

14/08/2015

Léxico - Max Barry - Roedor de LivrosDe todas as forças e poderes existentes no mundo, não há nenhuma que seja maior do que a palavra. Essa que você lê aqui agora, que decodifica e traduz em símbolos que possam ser absorvidos e conectados com outro conjunto de informações que já estão trabalhando intensamente no seu cérebro. Foi tomando isso como mote do seu thriller psicológico, que Max Barry (autor de Homem Máquina) escreveu Léxico (Intrínseca, 2015. Tradução de Domingos Demasi).

A trama pensadapor Barry não foge do script desse gênero: história de proporção global (mas que curiosamente aqui parece muito limitada a um espaço geográfico), narrativa rápida (mas que curiosamente se desenrola de forma lenta aqui), personagens apaixonantes (mas que, olha só, curiosamente aqui eles não chegam a te cativar). De forma resumida, o enredo criado por Barry é o seguinte: uma organização secreta coopta jovens que possuam habilidade com as palavras e os treina para serem manipuladores usando como matéria-prima e ferramenta somente as palavras. Esses jovens são divididos em segmentos, são cognominados com nomes de poetas (canônicos ou não) e atendem a interesses que são obscuros (o objetivo central da organização que fazem parte nunca fica claro durante o caminhar da história).

Nesse meio tempo conhecemos Emily Ruff, garota abusada que trapaceia em jogos de carta em São Francisco. Ela é chamada para integrar a Organização e ser treinada. Mesmo sendo extremamente habilidosa e com grande potencial, ela faz jus à sua rebeldia e tenta subverter as regras da Organização, burla as etapas de aprendizado, se apaixona por um estudante de outro nível e, como punição, acaba sendo exilada da escola da organização e posta numa pequena cidade no meio do nada, Broken Hill (sim, a referência é clara, Arnaldo: Silent Hill!). Porém, antes de conhecermos Emily, conhecemos Wil Parker, que logo no primeiro capítulo se vê sendo perseguido por dois agentes secretos no meio de um aeroporto. Para as duas histórias terem um óbvio ponto de conexão é um pulo. No meio de tudo isso, há uma palavra cuja a força destrutiva põe a perder a população quase inteira de uma cidade. Uma palavra tão potente e destruidora que sequer pode ser vista sem que cause um grande estrago. O restante da trama é tiro, porrada e bomba, em cenas de ações que poderiam ser bem mais animadas e estimulantes.

O livro tem seus pecadilhos: os diálogos soam meio caricatos; as cenas que seriam o ápice do romance acabam tomando contornos muito menores do que Barry deve ter imaginado quando começou a escrevê-las; com um mote bom, o enredo ficou aquém do que realmente poderia ser. Ainda assim, Léxico não é um livro de todo ruim: consegue trazer para discussão bons temas de debate: como manipulação por recursos de linguagem (o que a publicidade faz extremamente bem, na maioria das vezes), fazer uma apropriação de termos  para designar estados de dominação (como quando alguém é “dominado” por um conjunto de palavras e segmentado, ele está “comprometido um termo bem apropriado para alguém que vai obedecer suas ordens). Pode ser também que seja eu aqui, na minha jovem rabugice, já não esteja tão aberto à distopias adolescentes. Agora um ponto precisa ser dito: o design da capa é muito bom. Fora isso, acho que tenho pouco a acrescentar a respeito do livro. Me pareceu um livro feito para se tornar filme, mas um filme que não vai durar mais de dois meses em cartaz.

ROEDORlex

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